ENTREVISTAS

admin | Geral | Quinta, 8 de Novembro de 2007

Em Junho/06, dei uma entrevista para a comunidade Folha Animal, para os repórteres felinos Deco e Samuel. Repasso prá vocês, abrindo este tópico de Entrevistas, onde teremos vários assuntos em pauta. O assunto desta entrevista é: O Trabalho na Proteção Animal.

1- Conta para genti comu cê cumeçô a si dedicá à proteção di animais.
Sempre gostei de animais, fui criada com cadelas, sempre tivemos cadelas em casa, e meus pais gostavam de animais também. Na realidade, já tive um pouco de tudo: cães, peixes, pássaro preto, papagaio, canário, tartarugas, hamsters, chinchila. Só não tive gatos porque, na época, não se imaginava ser possível que convivessem bem com cães, como acontece hoje. Mas sempre tive uma quedinha especial por eles. Cheguei a trazer um gatinho filhote dentro da mochila da escola uma vez, e algumas vezes comprei gatinhos filhotes, com a minha mesada, para que os meninos da rua não jogassem no bueiro. Minha mãe ficava maluca comigo, porque eu aparecia com os gatinhos em casa, mas o trabalho de cuidar, controlar a nossa cachorra, esconder o gato longe dela e arrumar um dono ficava sempre pra ela …rsrs Mas nunca me desestimulou a salvar a vida de um animal.
Quando casei, fui morar em apartamento e, trabalhando fora, não pensei em pegar animal nenhum. Mas ajudava uma vizinha do andar a cuidar de uma gatinha que ficava solta no prédio. Meu carinho por gatos aumentou muito nessa época, cuidamos dela quando teve filhotinhos, doamos todos e depois mandamos castrá-la. Ela ficou linda e era muito carinhosa. Minha vizinha a adotou, mas ela vinha sempre me visitar. Depois, quando mudei para uma casa, com meu filho já com 4 anos, adotei uma cadelinha que apareceu na rua da minha mãe. Ela ficou comigo alguns anos, adoeceu gravemente e, apesar de ficar internada, o vet não conseguiu salvar, ela teve cinomose.
Eu peguei meu primeiro gato de rua, o Apolo, e sua mãe, a Maia (que havia dado cria na garagem de uma casa vizinha na rua da minha mãe) em 1998. Foi aí que me sensibilizei com o fato do abandono de animais e comecei a ajudar algumas pessoas da região que socorriam animais abandonados. Mas morava em apto. pequeno na época e trabalhava o dia inteiro, além de ter um filho de 10 anos pra cuidar sozinha, não podia me envolver diretamente em resgates e lar temporário.
Em 2000 mudei para um apartamento maior, conheci a Teresa neste prédio, grande amiga e gateira de carteirinha, e comecei a resgatar e trabalhar efetivamente na proteção animal de gatos. Em 2002, comecei a procurar um imóvel mais adequado para trabalhar com proteção animal. Depois de muito bate-boca com vizinhos do andar e o síndico do prédio, encontrei uma casa grande assobradada com aluguel acessível, o que criou espaço para muitos gatinhos serem socorridos. Tinha também um banheiro adicional nesta casa, onde instalei a maternidade felina. Foi nessa época, em 2002, que conheci o Adote um Gatinho, o que me deu mais vontade e garra para fazer um trabalho similar com gatos abandonados na Mooca, junto com as protetoras da minha região.

2- Achu qui u Vítor, gatinhu resgatadu pur vc, é um grandi reflexu da maldadi humana, i du qui podi acuntecê cum us animaizinhus qui num têm casinha i pur issu ficam nas ruas.. Comu tem genti qui num cunheci a história deli, cê podi contá?
Claro! O Vitor ganhou este nome por ser um gatinho vitorioso, ele lutou muito pela vida, sua recuperação levou meses. A Fátima, da Família Charles, é uma protetora do centro de São Paulo. Eu a conheci quando trabalhava no centro e me envolvi com a proteção dos gatos de algumas praças. Eu não trabalhava mais no centro, mas continuava socorrendo as emergências que aconteciam por lá. Uma noite, ela me ligou dizendo que uma outra protetora tinha visto um gato muito machucado, quase sem reação, abandonado na praça. Pedi pra ela ir resgatá-lo com a outra protetora enquanto eu ia pra lá, buscar na casa dela, pra levar ao vet. Eu já tinha socorrido vários gatos, mas nunca tinha visto uma vítima de violento espancamento. O Vitor tinha sangue nas orelhas, na boca, não abria os olhos, tinha calombos pelo corpo, nas costas, mal se movia. A foto que publiquei na comunidade na época não impressiona muito. Tem outras, tiradas pela Fátima, bem piores…
Fui direto para o vet 24 horas da Radial Leste, o Dr. Jorge achou melhor anestesiar, para poder radiografar ele inteiro e tratar dos ferimentos sem que ele sentisse dor. Felizmente ele não quebrou nada, era forte e gordinho, devia ter sido abandonado ali recentemente e, por ser manso, foi vítima fácil da crueldade humana. Teve apenas um problema na mandíbula, quase foi deslocada com o impacto da pancada. Eu o trouxe pra casa e iniciei o tratamento com os medicamentos para dor e antibiótico. Ele foi alimentado por quase dois meses com latinha A/D Hills diluída em água morna através de seringa. Ele tinha dificuldade pra engolir também, eu alimentava diversas vezes por dia. O que me preocupava é que ele não tinha reação nenhuma, nem abria os olhos. Só no 3º dia ele abriu os olhos e se movimentou pela gaiola. Ficou um tempo sendo alimentado com ração amolecida em água quente, e hoje come normalmente a ração seca, mas tem dificuldade se a ração é grande. Ele come Garfield, que é pequenininha.
Quanto a este caso, gostaria de fazer um comentário que não é de conhecimento geral, aliás, é de conhecimento de poucos. O movimento de proteção animal sempre foi contra circos com animais, pelo sofrimento que passam para aprender, pelo confinamento, pela privação de liberdade em seu habitat natural, entre outros motivos específicos de cada espécie. Mas eu nunca imaginaria que circos pagavam por gatos e cães de pequeno porte para alimentar seus felinos. Alimentar felinos de grande porte não é barato, mas fica bem mais em conta se forem utilizados animais abandonados. Tivemos algumas denúncias na época que o Vitor foi encontrado. Os guardas municipais viram um furgão branco que encostava nas praças tarde da noite, duas pessoas percorriam o local e eram vistas saindo carregando uns sacos grandes. Sumiram muitos gatos destes locais na época. Um dos guardas presenciou estas pessoas espancando um gato e jogando dentro do saco. Ele correu atrás destas pessoas, que acabaram deixando o saco no chão pra fugir. Quando o guarda abriu o saco, alguns gatos saíram em disparada. As protetoras identificaram alguns gatos machucados nos dias seguintes. Então, pediram ajuda e deram plantão nos locais por algumas noites. Mas infelizmente, estas pessoas não voltaram mais. Soubemos também que no ano passado, o funcionário de um circo instalado em Campos do Jordão foi flagrado fazendo uma “troca” com um garoto que segurava um filhote de gato no colo. A barganha: o gato por um ingresso do circo!
Acreditamos que o Vitor tenha sido um dos gatos escolhidos para alimentar felinos de circos, mas teve a sorte de ser salvo por um dos meninos moradores de rua do local. Preso a ele havia um bilhete escrito com letra de criança, dizendo que tinha salvo o gatinho de morrer espancado e pedindo para a tia (a protetora que alimenta os gatos e eles conhecem) cuidar dele, pq senão ele ia morrer.

3- Ixplica pra genti u seu projetu “SOS Felinus”?
No início de 2005, resolvi montar a Ong e trabalhar efetivamente com ela. Aluguei uma casa grande, com espaço para várias atividades, inclusive a instalação de uma clínica veterinária. Logo depois disso, fui demitida (Março/05). Uma parte dos valores que recebi foi utilizada para reformar a casa (cobrir e telar sacadas e corredores). Moro na casa da Ong desde Junho/05, quando acabou a reforma. Em julho de 2005 ganhei 23 gaiolas (coelheiras) do grupo Árvore da Vida, o que tornou possível resgatar animais com qualquer procedência, pois dava prá fazer o isolamento. Foi então que dei um nome ao projeto (PROJETO SOS FELINOS) e criei a comunidade do Orkut, mesmo sem ter a Ong aberta ainda.
O objetivo do projeto é recolher gatos vítimas de maus tratos, em situação de alto risco e perigo iminente, como medida preventiva, bem como gatos doentes, gatas prenhes, com bebês e bebês abandonados. Pretendemos evitar, sempre que possível, casos como o do gatinho Vitor. Queremos oferecer aos animais do projeto a chance de encontrar um lar através da doação via posse responsável. Dependemos de doações para torná-los aptos para adoção, ou seja, eles saem daqui já castrados, vacinados e vermifugados.
A proteção animal de felinos não é muito fácil, pois as protetoras dependem de lares temporários, já que quase não existem clínicas ou vets com espaço para hospedagem de gatos até que sejam doados. Já é diferente de cães, há vários locais com preços acessíveis que fazem este trabalho. Quando criei o Projeto, a idéia era, além de fazer meus próprios resgates, abrir espaço para outras protetoras hospedarem seus gatos aqui através de apadrinhamento, pagando R$50,00 por mês pela hospedagem e pela ração. Com os valores recebidos, eu poderia alimentar e suprir outras necessidades não só dos gatinhos apadrinhados, mas de outros que não tinham padrinhos. Como eu continuava desempregada e tentava sobreviver fazendo bicos com táxi cat, tinha dificuldades para cuidar da turminha toda e dependia de doações, que nem sempre vinham. Mas infelizmente não funcionou como eu previa, e hoje temos apenas 4 gatinhas amadrinhadas e continuamos dependendo de doações para cuidar dos nossos protegidos.

4- I puque “SOS Felinus”? I us otrus bichinhus?
O Projeto SOS Felinos é apenas um dos projetos da OnG Associação Vigilantes da Vida, que estamos montando. Mas trabalhar em EUquipe não é fácil. Não posso assumir mais responsabilidades sozinha, a OnG deve estar montada e estruturada para poder implementar e iniciar as atividades de outros projetos, com a participação de outros integrantes da OnG. Teremos também o Projeto SOS Caninos, para socorrer cães, o Projeto Valor, para ministrar cursos de inglês e promover oficinas de artesanato com o objetivo de proporcionar melhores oportunidades no mercado de trabalho para pessoas de baixa renda, através de apadrinhamento total ou parcial de empresas ou pessoas físicas, e o Projeto SOS Terra, que vai divulgar os problemas ambientais atuais do nosso planeta e orientar/incentivar o consumo consciente e a reciclagem. Nosso site foi desativado este ano, pois não conseguimos pagar a manutenção, mas pretendemos ter site novamente em breve, e todas as informações serão publicadas, bem como os animais para doação.
Precisamos criar o Projeto SOS Felinos antes mesmo da abertura da OnG porque já existiam animais aqui e eu tinha dificuldades pra bancar as despesas sozinha, por estar desempregada. Mas outros animais vão ter seus espaços na nossa OnG também, com certeza. Nosso slogan é: “Pelo respeito e valorização de todas as formas de vida”. Seja ela do ser humano, dos animais ou do planeta.

5- A genti sabi qui a vida dus protetoris num é fácil, pela qtdadi di bichinhus qui cês ajudam.. I qui a ajuda di otras pessoas, seja qual seja, é sempri bem vinda. Afinal, são muitas boquinhas para serem alimentadas, né.. I além dissu tem us gastos cum us tios vet i cum remedinhus. Di que manera as pessoas podem ajudá u “SOS Felinus” ô mesmu otrus protetoris, ONGs….?
Estamos atualmente com mais de 100 gatos, entre saudáveis (soltos no gatil, machos todos castrados e algumas fêmeas ainda não), filhotes com ou sem mamãe na maternidade (que fica no quintal da casa) e doentes/debilitados/machos aguardando castração nas gaiolas da sala e da cozinha. Temos algumas fotos publicadas no meu álbum pessoal. Vejam, em especial, as 3 últimas - ou melhor, as 3 primeiras, na página 2 (o gatil – dormitório e sacada – e a maternidade):
http://www.orkut.com/Album.aspx?xid=2472608059334959120

Nossas necessidades aqui, além de ração para alimentá-los e vermífugo/medicamentos para cuidar da saúde deles, envolvem despesas para castrar vários animais e vacinar todos, para poder colocá-los para doação. Além disso, temos muita vontade de ajudar outros animais em casos emergenciais, como o que está acontecendo agora lá no centro, com a reforma do local onde viviam mais de 20 gatinhos. As protetoras que estão recolhendo estes animais vão ter muitas despesas e, infelizmente, ajuda para gatos é muito menor do que para cães. Gatos são (erroneamente) considerados independentes: perambulam pelas ruas e “se viram”. É injusto analisar os fatos desta forma, e além disso, eles estão sujeitos à crueldade humana da mesma forma que estão os cães. Eles são apenas menos visíveis, se escondem mais e são noturnos. “O que os olhos não vêem, o coração não sente”. Até que ponto isso é verídico? Eles estão lá, abandonados à própria sorte, são vítimas da irresponsabilidade do ser humano, precisam de ajuda e merecem a chance de ganhar um lar.
Com o baixo índice de padrinhos na comunidade Projeto SOS Felinos, criamos este mês, em caráter emergencial, a comunidade Projeto SOS Felinos: Ajuda Real. O objetivo desta comunidade é unir pessoas que gostam de gatos e se predisponham a ajudar efetivamente colaborando mensalmente com qualquer valor a partir de R$5,00. É um valor pequeno, mas que nos ajudaria muito se houvesse uma quantidade significativa de colaboradores. Veja, temos mais de 900 participantes na comunidade Projeto SOS Felinos. Se apenas 10% deles entrasse como colaborador efetivo na comunidade Ajuda Real, teríamos quase metade das necessidades básicas mensais garantidas. Abri a comunidade no início deste mês, fiz a divulgação para os membros da Projeto SOS Felinos e para os meus amigos. Temos 42 colaboradores até o momento, e apenas uns poucos já se manifestaram sobre a colaboração mensal efetiva. Nossas despesas básicas mensais (alimentação dos gatos, água e luz) giram em torno de R$1.000,00. Sem contar medicamentos, despesas veterinárias, castração e vacinação. Temos conseguido algumas vagas para castração com outras protetoras e conseguimos doação de medicamentos ou dinheiro para comprar o que precisamos. Mas não temos colaboradores em quantidade suficiente para suprir nem a alimentação integral, que dirá para despesas veterinárias, vacinas e infra-estrutura. Precisamos de ajuda, as pessoas às vezes não têm noção de como é difícil e caro fazer proteção animal, até mesmo para suprir as necessidades básicas.
Aproveito a oportunidade que o Folha Animal nos deu para divulgar alguns links aqui e pedir que leiam as informações e divulguem para seus contatos. Precisamos literalmente “passar o chapéu” para angariar fundos, ou não conseguiremos manter as atividades do Projeto. Abrir a OnG e iniciar atividades dos outros projetos? Vai acabar virando um sonho não realizado…

Comunidade PROJETO SOS FELINOS
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4698801
Prestação de Contas – Campanha de Ração
http://www.orkut.com/CommEvent.aspx?cmm=4698801&crt=8011083&dat=1230674400

Comunidade PROJETO SOS FELINOS: AJUDA REAL
Detalhes e Informações sobre o Projeto SOS Felinos
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=14000032&tid=2469938292816756043

6- Que qui uma pessoa tem qui fazê pra adotá um animalzinhu?
Bem, existem duas formas para um adotante procurar o seu animalzinho: através da Internet (sites de doação e listas de proteção animal) ou em feiras de adoção. Em ambos os casos, o primeiro passo é preencher o Questionário para Adoção Responsável, com o qual o protetor consegue traçar o perfil do adotante e do local onde o animalzinho vai morar, analisando se a doação é adequada para ambas as partes. Sendo adequada, é feita a entrega do animal adotado (na residência do protetor, do adotante ou na feira) mediante a assinatura do Termo de Responsabilidade de Adoção Animal, onde o adotante toma ciência de que os animais são tutelados pelo Estado e que ele estará sujeito às penas da lei se não cuidar adequadamente do animal adotado, e onde se obriga a aceitar a visitação do protetor doador ao local onde estará o animal se este achar necessário. Para adotar, é necessário ser maior de 18 anos, apresentar documentos pessoais e uma cópia do comprovante de residência em seu próprio nome ou dos pais.

7- I uma veizi adotadu, u pessual num podi si cansá du animalzinhu, comu si eli fossi um objetu, i simplismenti « jogá eli fora », né tia ? Tem qui cuidá.. I tem qui sabê qui um animalzinhu é um compromissu pra muitus anos, num é ?
Abandonar, soltar, deixar fugir, não alimentar, acorrentar, bater e amedrontar são formas de maus tratos com pena prevista na lei. Se houver um flagrante com 2 testemunhas do ato, deverá ser lavrado um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima. Muitas delegacias se recusam a fazer o B.O., às vezes até humilhando o denunciante. Alegam que não têm tempo, pois precisam cuidar de bandidos, e não de animais. Neste caso, deve-se insistir, lembrando ao funcionário da existência da Lei Federal 9605 de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) e da Lei Municipal 13.131 de 18 de maio de 2001 (Lei de Posse Responsável). Caso ainda se negue a lavrar o B.O., deve-se exigir a presença do delegado. Se mesmo assim não for possível, peça e anote o nome do funcionário, os dados da delegacia e encaminhe para alguma OnG de defesa animal, que se encarregará de protocolar uma denúncia contra a atitude da delegacia.
No caso de animais doados por protetores ou OnGs do movimento de proteção animal, aceitamos a devolução do animal, caso ocorra algum problema na adaptação dele na nova residência. Esta informação está no Termo de Responsabilidade e todos os meios de contato do protetor doador também. Se, ao fazer o acompanhamento do período de adaptação do animal, o protetor descobrir que o animal não está mais no local, o adotante irresponsável poderá ser punido por lei.

8- Tia, agora u microfoni é seu. Dexa seu recadinhu pru pessual..
Bem, em primeiro lugar, gostaríamos de agradecer ao Folha Animal pela oportunidade de falar sobre proteção animal e divulgar nossas atividades do Projeto SOS Felinos e os planos para as futuras atividades da OnG Associação Vigilantes da Vida.
Meu recadinho diz respeito à Posse Responsável de animais. Apesar de já termos leis que punem o abandono e maus tratos, raramente elas são cumpridas. É necessário muito empenho de protetores e OnGs para que se cumpra a lei.
Os abrigos de protetores e OnGs estão lotados, e cada vez há mais e mais animais abandonados precisando de socorro pelas ruas. Obviamente agimos, na medida do possível (às vezes, do impossível tb), recolhemos, e saímos pedindo ajuda para salvar a vida destes animais e encontrar adotantes responsáveis para eles. Estamos, entretanto, enxugando gelo.
Em paralelo, é necessário implantar uma política séria de castração em todos os municípios. Os CCZs deveriam desenvolver um trabalho em conjunto com OnGs e protetores, castrando e vacinando os animais recolhidos e oferecendo espaço para feiras de doação, ao invés de simplesmente eutanasiá-los após decorridos 3 dias da captura. Alguns poucos CCZs assumiram este procedimento, mas mesmo assim, não há lares para todos os animais abandonados que são recolhidos. É primordial acabar com a procriação descontrolada, diminuindo a quantidade de animais e, consequentemente, diminuindo a quantidade de animais abandonados pelas ruas.
Um amigo protetor, Reginaldo, lançou uma Campanha de Conscientização sobre a Necessidade da Castração. Publiquei em eventos na comunidade Projeto SOS Felinos:
http://www.orkut.com/CommEvent.aspx?cmm=4698801&crt=8011083&dat=1230685200
por considerar imprescindível, no mínimo, fornecer informações esclarecedoras para a população. Existem muitos mitos sobre a castração e, infelizmente, a grande maioria das pessoas ainda pode ser considerada irresponsável no tocante à posse de animais.
Muitos abandonam seus animais quando não os querem mais, como se fossem bichos de pelúcia descartáveis. Esquecem-se que eles sofrem, sentem medo, frio, fome e, por incrível que pareça, sentem falta de quem os abandonou. O destino destes animais, quando não são socorridos por protetores? Morrer à míngua pelas ruas, debilitados, doentes e com fome, expostos às crueldades de alguns seres chamados de humanos. E nessa roda viva entram os protetores de animais, atirando para todos os lados em busca de ajuda para salvar estas vidas. Infelizmente não há protetores para salvar a vida de todos os animais que são abandonados. Muitos morrem sem socorro, doentes, atropelados, envenenados. Ou são recolhidos pelo CCZ e morrem através da eutanásia. Enganam-se aqueles donos de animais que, quando não os querem mais ou ficam doentes, entregam-nos ao CCZ para que sejam tratados e doados. Como já disse, poucos são os CCZs que mantém feira de adoção em suas instalações. E se o animal estiver doente ou for já de certa idade, nem tem chance de ser doado, é sumariamente eutanasiado. Ou pior, poderá ter ainda uma morte mais dolorosa. Muitos CCZs ainda entregam animais para experiência e estudo, onde serão vivisseccionados (traduzindo: seccionados enquanto vivos). Não é incomum recebermos denúncias de alunos que se queixam de universidades que não administram a quantidade necessária de anestésico no animal a ser vivisseccionado. É bastante comum, pelo que soubemos, o uso de um paralisante muscular associado a uma pequena quantidade de anestésico. O animal é aberto e estudado vivo, muitas vezes sentindo dores atrozes e sem poder se mexer. E seu ex-dono o deixa lá, achando que o CCZ tem obrigação de arrumar um dono para ele. Pois se ele mesmo, dono, que conviveu com o animal por algum tempo, seja ele qual for, não quer mais o animal, o que o leva a crer que alguém vá querê-lo? Não é assim que as coisas funcionam. A posse responsável de animais deve ser urgentemente e amplamente divulgada.
Àqueles que porventura não queiram mais seus animais, deixo aqui um apelo: não os abandonem. Entrem em contato com entidades de proteção animal de suas regiões, expliquem seus motivos, peçam ajuda para que seus animais sejam transferidos para outros lares, adotados por outras famílias, sem passarem pelo desespero de se verem sozinhos nas ruas. Será que eles não merecem esta chance?
Para gatos nesta situação, oferecemos ajuda para encaminhá-los a novos lares. Basta mandar a foto para o e-mail do Projeto e publicaremos a doação em listas e comunidades das quais participamos. Nem sempre a doação é rápida para gatos adultos, mas será que vão incomodar tanto assim se ficarem mais um pouquinho na sua casa?
Um outro assunto muito importante sobre gatos é desfazer o mito de que eles devem ser livres e ter acesso às ruas. Um simples passeio do gato no lugar errado e na hora errada pode ocasionar muito sofrimento a ele, talvez até a morte. Não é isso que você quer para seu gatinho, certo? Conheça uma comunidade que debate este assunto com muita propriedade, informe-se sobre os riscos e entenda que o gato, se pudesse escolher entre os riscos a que está exposto nos seus passeios e a segurança de sua casa, escolheria a segurança de sua casa. Mas o gato não sabe disso. Cabe a você, dono responsável, evitar que ele se machuque e corra riscos desnecessários, da mesma forma que faria com uma criança pequena que vai tropeçar e cair nos degraus da escada. De quem é a responsabilidade se ela realmente cair e se machucar?
Visite e participe da comunidade Lugar de Gato é Dentro de Casa:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13365086

Um último recadinho: vários são os simpatizantes e ativistas da causa animal, basta ver quantos participantes existem em comunidades do Orkut e listas dos grupos do Yahoo. Os ativistas são normalmente aqueles que fazem a linha de frente, vão a campo socorrer os animais. Não são muitos e estão frequentemente pedindo ajuda para socorrer algum animal.
Aos simpatizantes da causa, peço que abracem a causa da proteção animal, não necessariamente socorrendo e cuidando de animais, mas sim ajudando aqueles que têm tempo e espaço para cuidar deles, mas não têm recursos nem ao menos para alimentá-los adequadamente. Procurem, em suas regiões, protetores ou OnGs que desenvolvem este trabalho com dificuldade e colaborem como puderem, doando ração, medicamentos, apadrinhando algum animal ou simplesmente doando uma pequena quantia mensalmente para ajudar nas despesas, que não são poucas. Se pelo menos uma parte dos simpatizantes da causa tivessem esta predisposição de colaborar com um pouquinho para amenizar o sofrimento dos animais, com certeza os protetores teriam muito mais segurança e confiança para o desenvolvimento de suas atividades.

Por fim, quero aproveitar a oportunidade para prestar um esclarecimento que tem causado um pouco de confusão. O Projeto SOS Felinos sob nossa responsabilidade está vinculado à Associação Vigilantes da Vida, OnG que estamos estruturando aqui em São Paulo. Existe um outro SOS Felinos que atua no Rio de Janeiro, vinculado à FBAV - Frente Brasileira para Abolição da Vivissecção. As atividades são similares, defesa e proteção de gatos, mas desenvolvem suas atividades em locais diferentes e nenhum deles tem qualquer vínculo com o outro.

Novamente agradecemos a oportunidade oferecida pelo Folha Animal e também a você, leitor, pela paciência. Tentei resumir, mas falar de proteção animal, pra mim, é muito gostoso, apesar das dificuldades. E a oportunidade de mostrar uma parte dos bastidores da proteção animal para vocês não poderia ser desperdiçada. Peço desculpas por talvez ter colocado assuntos que chocam, mas trata-se da realidade que nós, protetores, vivemos no nosso dia-a-dia.
Deixo aqui também os meus parabéns para os lindinhos repórteres Deco e Samuel! As perguntas foram muito bem focadas no tema da reportagem. E contem comigo se precisarem de mais alguma informação.

Miaubraços felizes,
Iridê e Gatinhos do
Projeto SOS Felinos
projetososfelinos@yahoo.com.br
18/06/06

E COMPLEMENTANDO esta entrevista, em Junho/07 fiz um comentário no nosso ex-blog sobre as responsabilidades que as pessoas atribuem a um projeto, OnG ou grupo de proteção animal, que cabe muito bem aqui. Copio abaixo.

Eu passo por situações bem delicadas desde que comecei, por volta de 2000. Mas depois que batizei meu trabalho de Projeto SOS Felinos e o inseri na Ong que estava montando, em 2005, a coisa apertou! Cansei de ser chamada de irresponsável, de ouvir que eu não era protetora coisa nenhuma, qdo me recusava a ficar com algum animal. Até mesmo cães chegaram a tentar forçar a barra prá eu assumir, prá eu sair da minha casa de madrugada prá ir resgatar cão atropelado! “Como vc não pode vir?? Que diabo de Ong vcs são, vcs não socorrem animais abandonados??” - pergunta crucial. “Tá, e eu levo o cão prá onde, se só tenho gatos aqui? Vc fica com ele na sua casa?” “NÃO, eu NÃO tenho espaço!” “E quem vai pagar o veterinário e as despesas com esse cão? E a alimentação, medicamentos, quem paga??” Fico sem resposta.

As pessoas têm a errônea impressão de que Ongs “nadam” em dinheiro. O registro da nossa ainda não está finalizado, mas mesmo que estivesse, a verba prá atender nossas necessidades não cairia do céu, por milagre! A chegada de um animal implica em muitas coisas que precisam de dinheiro, incluindo alimentação, medicamentos, castração, vacinação, até despesas de manutenção do local, material de limpeza e jornal (nós compramos em média 100kg por mês, pq as doações são mínimas). Somos facilmente localizados qdo aparece algum animal abandonado… mas prá ajudar, apenas uns poucos lembram de nós. Qtos e-mails e scraps já recebi me parabenizando pelo Projeto SOS Felinos, dizendo que são poucos que trabalham com proteção de gatos, me lançando todas as bençãos possíveis e … me desejando boa sorte nesse trabalho! Respondo todos, agradecendo e pedindo que ajudem o Projeto com alguma doação e divulguem o nosso trabalho e a nossa comunidade no Orkut. Se essas pessoas divulgaram eu não sei, mas não me recordo de nenhuma que tenha doado alguma coisa para os nossos gatos, pelo menos não na época.

É muito legal ouvir elogios, sentir que seu trabalho é reconhecido, mas elogios não enchem a barriga dos gatos, nem compram os remédios, nem pagam a conta do veterinário e nem as despesas operacionais do projeto. Tentamos lançar a campanha do R$1,00 na comunidade, ninguém se manifestou. Já estou escaldada com isso, pq qdo fiz a comunidade Projeto SOS Felinos:Ajuda Real, pedi doação de R$5,00 dos membros que entrassem. Não cheguei a 10 colaboradores por mês, alguns com valor bem acima disso. Manter uma comunidade com mais de 200 membros e apenas 10 ativos? Incoerente! Por isso está desativada e será extinta, como já publiquei no perfil.

Então, já me habituei a não me abalar com o retorno “0″ ou baixíssimo das campanhas. As pessoas são assim: doam R$1,00 de esmola para o pedinte nas ruas, sem se preocupar se ele vai comprar comida prá família ou encostar a barriga no primeiro boteco que encontrar. Mas não doam R$1,00 pro nosso projeto, que abre suas portas prá visitas programadas quinzenalmente, que publica e presta contas de todas as doações recebidas, prá ajudar a acolher e tratar de animais que dizem que adoram. Mas lembram-se de nós e da nossa comunidade qdo passam por algum animal abandonado nas ruas e querem que ele seja socorrido. Por nós, claro, e na maioria das vezes sem oferecer qq tipo de ajuda prá que possamos cuidar dele. Raríssimas são as Ales, Dionetes, Fannys, Tanias e Joanas, que assumem as despesas dos animais acolhidos aqui e ainda nos ajudam com os outros, doando ração, pagando castrações ou prestando algum serviço para o Projeto. Dá prá contar nos dedos de uma mão! Triste isso, não? Mas é uma realidade.

Já por diversas vezes tive vontade de parar com tudo. Poucos eram os colaboradores, muitas eram as necessidades e despesas e muitos eram os animais que precisavam de socorro. Eu tinha o espaço prá socorrer, o tempo prá cuidar, mas… não tinha dinheiro prá assumir mais animais. Isso me dava agonia! Eu lia os e-mails recebidos das listas de proteção pedindo socorro e engolia em seco. E deletava da caixa de entrada, como se fosse possível deletar da minha memória. Alguns deles eram encaminhados diretamente para o meu e-mail por pessoas que sabiam do meu trabalho com o projeto. Eu segurava o choro prá responder que poderia socorrer SE alguém bancasse todas as despesas, apadrinhando o animal. Qtas vezes fiquei sem resposta… e tb sem saber o que aconteceu com o gato.

Depois, com mais calma, resolvia continuar por amor a eles. Resolvia tentar mais um pouco, apesar das dificuldades, pq não há satisfação maior do que salvar uma vida, cuidar de um ser que tem o direito à vida, recuperá-lo e encaminhá-lo para doação. O olhar de cada um deles que eu acolhi e salvei compensa as noites mal dormidas (ou não dormidas), a preocupação com a falta de ração, de medicamentos, a cara-de-pau prá pedir, pedir, pedir incansavelmente, prá não deixar faltar pelo menos o básico. Quem trabalha com proteção animal sabe como é indescritível a satisfação que sentimos qdo conseguimos salvar uma vida. E maior ainda qdo conseguimos um bom adotante prá nossos protegidos. Agradeço muito à Nilce, do Jardim dos Amiguinhos, e ao Michel, da Deixe Viver, que há mais de um ano ajudam a doar nossos gatinhos, permitindo que tenhamos espaço e condições prá socorrer outros das ruas.

Nossa primeira publicação no tópico Boletins 2007 é uma carta assinada pelo gatinho Vitor, recolhido em 2005 quase morto após violento espancamento, hoje nosso xodó e mascote. O título: Responsabilidade Social Animal. Como diria um diretor da última empresa em que trabalhei: “leitura fortemente recomendável”.

Bjs,
Iridê

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