O que eu estou fazendo aqui???

admin | Geral | Terça, 8 de Abril de 2008

A cada dia que passa, vejo aumentarem as iniciativas em prol dos animais.

Mais e mais comunidades são criadas no Orkut e similares, e seus donos enviam convites para novos participantes. Muitas são as pessoas que participam de inúmeras comunidades, sendo boa parte delas voltada para a proteção animal. Temos um sem fim de participantes nas listas já existentes no Yahoo grupos e similares. O número de pessoas que participa dessas atividades aumenta em proporção geométrica.

Comunidades ou listas de discussão, não importa. O grosso dos tópicos e mensagens é formado por apelos para socorrer animais. É bicho atropelado, doente, sofrendo maus tratos, confinado sem alimentação em casa fechada, mamães parindo nas ruas, filhotes sob risco de atropelamento, envenenamento, CCZ… devo estar esquecendo uma porção de outras situações, com certeza. O fato é que todos esses animais precisam de ajuda. E é pra isso que servem essas iniciativas… não é?

Inúmeros também são os protetores independentes, grupos, projetos e entidades de proteção animal que se desdobram para socorrer 1, 2 ou 10 desses animais, mas ainda ficam pra trás centenas… A demanda é muito maior do que a oferta.

Políticas públicas, castração em massa, leis menos brandas e efetivas, divulgação dos conceitos de posse responsável … e mais outras tantas medidas que poderia enumerar aqui, com o objetivo de mudar o cenário atual que temos da proteção animal, são extremamente necessárias. Mas isso é outro assunto, envolve pessoas muito mais qualificadas do que eu pra discorrer com conhecimento de causa.

Escrevo este texto pra tentar esclarecer uma dúvida para mim mesma, nunca consegui uma resposta coerente nestes quase 8 anos que convivo com o meio da proteção animal.

Por dedução, os participantes dessas listas e os membros das comunidades gostam de animais e se sensibilizam com a situação relatada nas mensagens. E não posso acreditar que participem só prá ver a situação de calamidade dos animais abandonados, maltratados, condenados à morte…como se estivessem lendo um jornal ou assistindo o noticiário da TV.

Desligar o computador, fechar o jornal ou apertar o “off” no controle da TV não muda a realidade que está lá fora. Mudar o rumo das notícias que lemos no jornal ou assistimos na TV nos parece utopia. Uns poucos grupos se movimentam em prol do exercício da cidadania, promovendo atitudes de protesto em relação a certos fatos que são noticiados. Mas mudar esse cenário envolve muita gente, muitos interesses… talvez um dia, quem sabe, quando conseguirmos acertar nas eleições, não é?

Mas voltemos à proteção animal. Nas listas e comunidades há grupos distintos de pessoas: aquelas que vão a campo socorrer animais ou os recebem após o resgate; aquelas que divulgam e fazem o repasse dos apelos; aquelas que promovem atividades para angariar fundos para ajudar animais socorridos ou abrigos; aquelas que ajudam animais de forma fixa, contribuindo financeiramente; aquelas que passam orientação jurídica ou veterinária. Esqueci algum? Ah, sim,claro! Um grupo do qual também faço parte: dentro do grupo de protetores de campo, temos aqueles que, quando socorrem animais, precisam de ajuda pra abrigá-los e tratá-los. Então, depois de um bom banho de “óleo de peroba” (que já estamos até acostumados a passar, pois estamos sempre a pedir, pedir, pedir…), soltamos a mensagem pedindo ração, medicamentos, dinheiro pras despesas que envolvem os animais socorridos.

Faltou mais um grupo de pessoas: aquelas que lêem os apelos, ficam tristes pela situação relatada nas mensagens, até se sensibilizam com o cenário descrito, mas não ajudam. Desligam o computador entristecidos, e voltam a ele no dia seguinte, pra ver se alguém atendeu os apelos e socorreu os pobres animais. E também para ler os novos apelos que entram aos montes todos os dias.

Qual o motivo para essa atitude? Talvez a desunião do movimento de proteção animal, já tão conhecida no meio; a luta pelos holofotes; as desavenças e ofensas públicas entre protetores; a dúvida sobre a veracidade do relato no apelo e a idoneidade de quem o faz. Tudo isso pode confundir e gerar dúvidas para as pessoas deste grupo. E não há como culpá-las. Mas recomendo que, em caso de dúvidas, perguntem, investiguem, comprovem a existência e a necessidade dos animais. Aquelas moedas que estão no fundo da gaveta, dos bolsos ou bolsas podem representar a alimentação diária de um animal. Não farão a menor falta no orçamento, mas farão toda a diferença para ele.

O trecho copiado abaixo, escrito já há algum tempo, é direcionado às pessoas deste último grupo.

Abraços,
Iridê
08/04/08


Por mínima que seja sua participação, muitos “poucos” transformam-se em “muito” quando há união de esforços com um objetivo comum. E isso faz toda a diferença!

Mas cabe a você decidir se quer participar desta união de esforços.

E cabe a você descobrir se o nosso objetivo é comum a você.

Cabe a você identificar se você tem algum objetivo em prol da causa animal, seja ele qual for, que o leva a participar de comunidades/listas e navegar por sites/blogs de proteção animal (não pode ser só prá ver a situação de calamidade dos animais abandonados, maltratados, condenados à morte…como se estivesse lendo um jornal ou assistindo o noticiário da TV)

Cabe a você buscar dentro de você a resposta para as seguintes perguntas:
“O que eu estou fazendo aqui?”
“O que eu quero fazer aqui?”
“O que eu posso fazer aqui?”
“Como eu posso beneficiar os animais abandonados?”

E cabe a você, tão somente a você, agir em prol da causa animal da maneira que seu coração pedir e sua razão permitir… ou talvez optar por afastar-se dela, se não encontrar suas respostas. O importante é ser verdadeiro com você mesmo.

Pense nisso…

E a gente fica por aqui!
Torcendo pro Sol clarear todos os cantos prá facilitar sua busca…
Torcendo prá você socorrer ao menos uma das estrelas-do-mar nas areias da praia e jogá-la de volta ao mar…
Torcendo prá você optar por fazer a diferença de alguma forma!

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